Filhos e quimioterapia

Estar com os meus filhos é o maior desafio durante o tratamento. Eu fico hipersensível a sons e luzes. Só quero estar quieta, sem me mexer, sem sequer falar. Custa-me muito não ter energia para apreciar a companhia dos meus filhos. Os gritos deles perturbam-me, irritam-me e só me apetece gritar “calem-se!”. Já perdi a cabeça várias vezes. E o sentimento de remorso e tristeza custa-me. Custa-me vê-los ir passear sem mim. Sei que eles estão bem e estão felizes, mas eu não estou lá com eles. Desta experiência toda, o que mais me custa é não ter disponibilidade (física e mental) para ser a mãe que sou e que eles merecem. Sei que são só alguns dias e que não terão efeito na felicidade deles. Sei disso e isso conforta-me. Mas custa-me à mesma. Quero poder estar mais presente, quero dar mais, ouvir mais, ler mais histórias.
Agora, dou o que consigo dar, faço o meu melhor, com a fé poderosa que hei-de ter milhares de dias para ser a mamã deles. Agora, preciso de cuidar de mim.